Seminário São José

37° 0' 47.5" N, 7° 56' 8.1" W

 




Faro: Sede de Bispado
Até à construção do seminário
Atribulações muitas...

Faro: Sede de Bispado

A 20 de Outubro de 1539 é aprovado pelo Papa Paulo III e pelo Rei D. João III o pedido do Bispo do Algarve D. Manuel de Sousa para a transferência da Sede Episcopal de Silves para Faro. Porém, apenas 38 anos mais tarde, a 30 de Março de 1577 é que esta se vem a concretizar. 8 anos depois de transferida a sede, é finalizada a construção de um Paço episcopal, hoje conhecido por Paço D. Afonso de Castelo Branco por ter sido o primeiro bispo aqui a residir – parte norte do Seminário de S. José.


Até à construção do Seminário

Em 1596, as tropas inglesas do Conde de Essex, Robert Devereux, desembarcam perto de Faro saqueando cidades, roubando preciosidades como a biblioteca do Paço Episcopal e também um pentateuco, o primeiro livro impresso em Portugal (em Faro). Por falta de interesse nestas obras, o Conde ofereceu-as ao seu amigo Thomas Bodley, hoje incluídas na Biblioteca Bodleyana em Oxford. Além deste saque incendiou a cidade deixando-a praticamente reduzida a escombros, incluindo o paço episcopal. Dois anos mais tarde é construído o novo edifício Paço Episcopal.

Em 1741, este Paço passa a servir também de internato para os alunos do Colégio São Tiago Maior, colégio este pertencente aos Jesuítas a quem a Santa Sé tinha entregue o ensino do clero. Poucos anos depois, com D. José I no trono e Sebastião de Melo no governo, os jesuítas são expulsos do país num decreto assinado pelo rei a 03-09-1759.

Depois de uma época conturbada para o clero e a formação do mesmo, o Bispo sucessor, D. André Teixeira Palha (1783-1786) publicou e regulamentou as aulas eclesiásticas instituindo-as no seu próprio Paço. Tinham 4 cadeiras: Teologia Dogmática, Moral, Cânones e História Eclesiástica. Esta última foi depois, no bispado de D. José Maria de Melo (1787-1789) substituída pela cadeira de Sagrada Escritura.

Foi também D. José Maria de Melo que delineou a construção do Seminário de São José a partir do edifício Paço de D. Afonso de Castelo Branco para formação do clero regular. Contudo, por eleição a Conselheiro de D. Maria I e inquisidor-mor, foi o seu sucessor D. Francisco Gomes de Avelar que concluiu a construção deste seminário prolongando o edifício para Sul e inaugurando-o a 8 de Janeiro de 1797. A construção deste seminário contou com o arquitecto genovês Francisco Xavier Fabri, trazido de Itália pelo bispo. Houve diversas dificuldades financeiras para concretizar esta obra. Assim, D. Francisco incorpora aulas públicas de Letras que eram ministradas na cidade, sem edifício próprio, no seminário.

Mais a Sul, existe uma parte do edifício que constitui o refeitório do seminário que viu as suas obras concluídas apenas em 1806. Assim, o seminário é constituído a Norte por um sector dos anos 1580’s e outro a Sul dos anos 1790’s contemporâneo com a ligação ao novo Paço Episcopal pelo 1º andar que atravessa o início da Rua Monsenhor Boto.



Atribulações muitas...

Em 1834, o liberalismo vence o absolutismo numa guerra civil entre dois irmãos D. Miguel I (absolutistas) e D. Pedro IV (liberais) e Portugal fica de relações cortadas com o Vaticano, o que por consequência parou os cursos eclesiásticos, porém as aulas públicas continuaram. A 3 de Janeiro de 1851 (os Liceus chegam a Portugal em 1836, contudo, em Faro não foi logo oficializado), o seminário incorpora também a instituição Liceu Nacional de Faro, oficializada por decreto da Rainha D. Maria II.

Entretanto, a Santa Sé restabelece a diplomacia com Portugal e em 1853 o Bispo D. Carlos Cristóvão Genuês Pereira reorganiza o ensino religioso.

De 1861 até 1866 este seminário tem como seu aluno Francisco Xavier de Ataíde Oliveira e pouco mais de uma década antes, por aqui tinha passado João de Deus Ramos.

Em 1889, o comboio chega a Faro, o que facilita a deslocação dos alunos do Liceu e, por consequência, aumenta o problema de falta de espaço. A fim de proporcionar as devidas condições para o ensino, em 1908, o Liceu Nacional de Faro é transferido para o edifício acabado de construir, actual Escola Secundária Tomás Cabreira e posteriormente, em 1948, para a actual Escola Secundária João de Deus.

Em 1911, com a implantação da República, perseguições ao clero que aí surgiram e a abolição do ensino da doutrina cristã, o seminário é confiscado e, por receios de resposta dos monárquicos, é nele instalado o Regimento de Infantaria 33. Foi devolvido uma parte do edifício em 1933 (com a extinção do Regimento de Infantaria 33) e o restante em 1940.

Após o 25 de Abril de 1974, muitos portugueses retornam das então ex-colónias portuguesas e o Seminário foi provisoriamente cedido para acolhimento dos mesmos.

Em 1986, no bispado de D. Ernesto Gonçalves Costa, são concluídas obras de restauro no edifício e é então reaberto o Seminário. Hoje, o seminário de S. José continua a sua acção de formação de acordo com os programas nacionais e indicações da Santa Sé.

Obras consultadas

Livros:
- Faro edificações notáveis – Francisco Lameira, Câmara Municipal de Faro, 1995
- Memória de Portugal, o milénio português de Roberto Carneiro e Artur Teodoro de Matos, 2001
Universidade de Coimbra:
- O Poder real (Séc XIV-XVIII) Integração do absolutismo, por Abel Andrade, 1893
Sites:
- Jesuítas.pt
- arqnet.pt – O portal da História
- diocese-algarve.pt
- seminário.diocese-algarve.pt
- radix.cultalg.pt (Ministério da Cultura)
- elizabethan-era.org.uk
- www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/lugares/osantigosliceu/faro.htm